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DANÇAR É UM VÍCIO
Por: Lu G. Mayer

As pessoas que amam a dança sabem que ela nos transporta ao mundo mágico da alegria, do contentamento, das doces ilusões e sonhos. Por esse motivo os amantes da dança procuram constantemente praticá-la participando de festas, bailes ou academias.
Esses dançarinos praticam a dança quase que diariamente em todas as oportunidades que surjam, sabem de tudo que se relaciona com ela; eventos, bons e novos locais de dança.
E essa prática se torna, ao meu ver, uma espécie de “vício bom” por não se encontrar outra palavra para designar essa vontade de estar sempre dançando.
A palavra vício nos leva a estar preso a uma repetição de uma ação ou atitude condenáveis. Mas isso não acontece com a dança. Dançar nos faz movimentar o corpo, o que hoje é tão pouco requisitado.
Nossos momentos de lazer muitas vezes se limitam a assistir televisão, ouvir rádio ou CD-player. Como hoje usamos controle remoto, nossos corpos ficam imobilizados em cadeiras e poltronas.
Dançar é um lazer de muitos movimentos. Para dançar precisamos nos deslocar de nossas casas ou de nosso trabalho. A dança também nos motiva a nos vestirmos com roupas adequadas para seus eventos. O movimento maior da dança, porém não é perceptível para a grande maioria das pessoas; é a troca de energia que se faz através do toque corporal. Na dança os parceiros se entrelaçam, se abraçam, se olham e se harmonizam, trocando suas energias para que o movimento aconteça.
É desse toque que o ser humano mais precisa. É através dele que se processa a renovação e a troca de energia que preserva nossa saúde mental, espiritual e afetiva.
Nos parques da cidade encontramos pessoas que após uma corrida ou caminhada abraçam os troncos das árvores para captarem a energia da natureza. Esse processo de renovação energética com a natureza é válido, é bom, mas solitário. Os seres humanos se completam, precisam um do outro para viver.
Se você gosta de dançar, e o faz sempre, preferindo-a a qualquer outra atividade de lazer, você é um viciado na dança, o que ao contrario do que a maioria pensa é um “vício bom”.
Dançar é um programa que trabalha seu corpo e sua mente. A música envolve sua alma e você ainda troca afetividade. Dançar é mesmo um “vicio” BOM DEMAIS!



Dança, uma contribuição para o autoconhecimento
A dança faz parte da História da Humanidade desde os seus primórdios, sendo uma forma de expressão e comunicação do Homem com a Natureza, esta Arte se fez presente em muitos rituais místicos e sagrados tendo a importância de religar o homem a seus sentimentos, pensamento e alma. A dança, tem sua forma de expressão ilimitada, podendo retratar desde valores individuais a valores históricos – políticos e sociais.
Em decorrência de uma visão de mundo racionalista e tecnológica o foco do desenvolvimento humano tende muitas vezes a se concentrar na linguagem e no pensamento, e o corpo fica mantido como parte dissociada desses elementos. De fato a linguagem e o pensamento são estruturas de grande complexidade e importância, no entanto a expressão corporal merece atenção dirigida. Muito antes da linguagem se fazer presente na vida da criança (fase inicial do desenvolvimento humano) e ser compreendida pelos que a rodeiam, o corpo é o instrumento dessa comunicação.
Nos primeiros meses de vida tanto psíquica quanto fisicamente a relação do bebê com a mãe se dá como se eles fossem um só Ser, vivenciando uma simbiose que aos poucos vai deixando de existir com a conscientização corporal e psíquica da criança. No decorrer desse processo a criança vai se descobrindo e após a aquisição do controle dos primeiros movimentos vai percebendo que além de estar aprendendo a se comunicar verbalmente com as pessoas e expressar seu pensamento por meio de palavras, também pode fazer uso de habilidades motoras mais complexas possibilitando uma gama maior de movimentos e de situações vivenciadas. Além disso, é importante que a criança aprenda a lidar adequadamente com suas emoções e uma vez que cada emoção possui um correspondente físico ela pode aprender a expressa-la através do corpo, e esta forma de expressão pode ser vivenciada não somente pela criança como também por adolescente e adultos.
Portanto o desenvolvimento humano deve ser visto como um diamante com suas diversas facetas, que deve ser lapidado.
Sabemos que a capacidade cognitiva do indivíduo deve ser observada não apenas por sua inteligência lógico dedutível, mas também por inúmeros outros aspectos, como por exemplo; sua forma de elaborar e solucionar problemas, sua capacidade de comunicar-se, de construir coisas, de manter uma convivência social saudável, etc.
Estudos recentes conduziram à Teoria das Inteligências Múltiplas de Howard Gardner que propõe a existência de oito tipos de inteligências, são elas: a lingüística, lógico-matemática (a mais tradicional), a espacial, a cinestésica-corporal, musical, inter-pessoal, intrapessoal e naturalista. Esta teoria nos leva a valorizar o potencial de cada Ser, sem querer padronizá-los, buscando estimulara o potencial criativo que existe em cada um de nós.
A dança, então, entra em cena como uma forma de mediação entre estímulos e respostas. Por meio da dança o individuo é estimulado a conhecer seu próprio corpo, suas potencialidades sensoriais, sensitivas, perceptivas, motoras, criativas e comunicativas, e, como está inserido num grupo entra em contato com suas próprias potencialidades corporais e as do ouro, com suas próprias limitações e as do outro.
É nesta dança que será incorporado conteúdos para contribuir com o desenvolvimento psíquico físico e social do indivíduo.

Dra. Lucimara Cassemiro – Psicóloga Clínica e Profa. de dança



       
       
 
 
 
 
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